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Paulina Vinderman (Buenos Aires 1944)

  • Foto do escritor: Serena Franco
    Serena Franco
  • 27 de mar. de 2022
  • 1 min de leitura

1

Mais uma vez minha roupa pende de um prego na parede

e a precariedade se torna voluptuosa.

Os pescadores foram dormir

e eu saio para ver o mar.

Uma faixa de aço.

Meu mar se lembrará de mim?

O azul meia-noite, o de Caleta Olivia

e sua praia sem ninguém, onde encontrei

minha estrela púrpura.

Talvez eu necessite que perdurem os fantasmas.




2

Nunca estive tão perto de mim.

Percebo as costas do amor

e o desenho áspero do ilusório.

Minha vida inteira agora é irreal, um sonho

de mãos e oboés compartilhados.

“Não me roube a memória, anjo escuro”

A claridade se fundiu em minha taça e fabricou

uma cabana onde dormir.

Não me roube minha lua, minha mãe, meu lampião,

as pequenas rochas, o Mar da Tranquilidade.



3

Não sei quando regresso,

não volte a perguntar.

Escrevo, é dizer, minhas cicatrizes escrevem.

E aqui, em direção ao céu transparente

posso cantar sem que se saiba.




8

Não o chame exílio, isso não é um exílio.

Num mundo de gaivotas, ela me olham

como uma ave perdida a mais.

Sentada na areia frente ao dia que agoniza

preparo uma cerimônia de chá.

O céu é de pêssego e um pouco de metal.

Meu alfabeto se reduziu e não quero outra vida.

É esta minha outra vida.

Tem cor de meia-noite e as vértebras

partidas.






13

Sua carta pergunta demasiado.

Não, não mudei muito, se acentuaram

minha velha mudez e minha cautela.

Curo minha ferida com água do mar

e sonho com um caminho entre dramáticas oliveiras

(um caminho dramático entre oliveiras)

Já não busco sinais e minha tristeza é cada vez

mais doce e minha loucura incerta.

E quando escrevo o faço com um amor

pelo mundo tão grande e terrível

como a morte.





Poemas traduzidos do livro "Adelaida", Aguacero Ediciones 2020







 
 
 

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